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Retalho nº 01

__ A incerteza do amanhã e o desafio de ser quem somos

 

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Há questionamento mais inquietante do que o que será de nós no futuro, ou se haverá mesmo um futuro? Creio que nada nos perturba e nos inquieta mais do que o mistério que permeia a existência do amanhã.

O que temos feito para tentar garantir a posteridade? Como temos tratado as pessoas? Como temos reagido ao bem, e sobretudo, ao mal que nos fizeram e fazem hodiernamente? O que decidimos fazer com as coisas que nos aconteceram? As respostas a estas perguntas condicionarão a nossa continuidade ou a nossa pausa. A solução, independente da resposta individual, é sermos quem, no fundo, nascemos para ser. Só isso nos salvará (pelo menos de nós mesmos, ou da mediocridade).

Ninguém nos disse que estar vivo seria tão desafiador e complexo. Ninguém nos avisou que após a nossa concepção tudo seria tão incerto. Mas com o transcorrer do tempo se torna inevitável perceber que, intrinsecamente, em cada ser vivente, o desafio de ser e reconhecer-se humano, pessoa, imperfeito, habita. É só mesmo com o tempo que percebemos que ser quem somos consiste em errar, cansar, perder, decepcionar, falhar, chorar, para então crescer, sonhar, se adaptar, conquistar, realizar, SE (RE) INVENTAR!

Por isso é certo que haverão de pagar um preço altíssimo aqueles que se recusarem a serem autores da própria história. É certo que padecerão na ignorância, pela sua própria força, aqueles que fecharem seus olhos para sua realidade interior. É certo que perecerão aqueles que se recusarem a equilibrarem-se em si mesmos!

Mas não nos preocupemos! Não deixemos de viver por medo de não estar respondendo a vida de maneira correta (quem disse que há?). Não coloquemos nossa força e a nossa energia no sentimento de escassez e medo do desconhecido, mas na autenticidade, na alegria e na gratidão! Vivamos! Despertemos! Sejamos e demos o melhor que pudermos a este mundo, as pessoas e a nós mesmos, sempre! Pois, indubitavelmente, não há outra maneira de construirmos o amanhã senão olhando bondosamente para o hoje. Está em nossas mãos. Só depende daquilo que faremos com tudo que temos – ou achamos que temos.

Ana Paula Lima

 

*Texto dedicado a todos aqueles que arriscam ser quem são, independente das circunstâncias e das consequências.

*Àqueles que asseguram leveza ao meu caminhar.

*Àqueles que reconheci como amigos-irmãos.

 

Quem eu seria…

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Eu pensei, repensei e tornei a pensar em como poria em palavras as maravilhas cotidianas sem que estas perdessem o encanto e, sobretudo, sua sacralidade. Viver é, de fato, a maior dádiva, da qual deriva todas as outras incríveis coisas. Tenho consciência de que não será uma tarefa fácil ter que escolher, dentre tantos milagres existenciais, alguns poucos para eternizar em palavras, visto que já brotaram e ainda brotarão do meu arquivo interior de preciosidades eternas.

Resolvi, então, dar uma pausa às reflexões para iniciar os escritos. Verdade é que desejo com isso dar as coisas encantadoras que a mim se apresentaram, o direito de também encantarem outro alguém. Há coisas/momentos/pessoas que definitivamente não nasceram/surgiram para ficarem engavetas/guardadas, ainda que com muito amor… Ainda que com a oportunidade de reacenderem, vez ou outra, apenas em uma lembrança.

Que a palavra me conceda a oportunidade de contar e recontar as dores e as alegrias que nos são próprias; que eu possa encantar e me encantar com as miudezas que de vez em quando nos escapam aos olhos ; Mas acima de tudo, que eu jamais me esqueça do compromisso social e afetivo que firmei comigo, convosco, com as muitas palavras que surgem e com tudo que me permite conferir uma razão ao que escrevo.

Confesso que para embarcar nessa viagem, antes mergulhei em tudo aquilo que já escrevi e que um dia pensei em escrever. Com isso, percebi que foi sempre o simples que me promoveu ao ápice da realização pessoal; que foi o essencialmente humano que me concedeu o encanto. Diante disto, partilho aqui por onde andei, os infinitos rumos que escolhi tomar, os momentos em que me perdi e a doçura que foi em cada um deles me encontrar.

Eu sei quem eu sou quando reflito sobre a vida. Mas quem eu seria se eu resolvesse compartilhar?

Pois então…

Vim descobrir!

Ana Paula Lima